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Muitas mulheres foram ensinadas a suportar. Não a escolher.

Foram ensinadas que força é resistência.

Que maturidade é silêncio.

Que caráter é permanência.

Aprenderam cedo que o amor exige sacrifício.

Que casamento é destino.

Que família deve ser mantida, mesmo que por dentro esteja desmoronando.

Poucas foram ensinadas a perguntar:“Isso ainda me faz bem?”

“Eu ainda existo aqui?”

“Eu posso querer algo diferente?”

Suportar virou virtude.Escolher virou egoísmo.

E assim, gerações de mulheres confundiram resistência com maturidade.

Permaneceram não porque estavam inteiras, mas porque acreditavam que sair era fracasso.

Mas suportar não é sinônimo de consciência.

Às vezes é apenas medo disfarçado de força.

Escolher exige algo mais profundo.

Exige responsabilidade.

Exige enfrentar julgamentos.

Exige sustentar a própria decisão mesmo quando não há aplausos.

Suportar mantém a estrutura externa.

Escolher preserva a estrutura interna.

E há uma diferença enorme entre manter uma imagem e manter a própria integridade.

Muitas mulheres aprenderam a ser fortes para os outros.

Poucas foram autorizadas a ser honestas consigo mesmas.

Talvez a revolução feminina não esteja em suportar mais.

Mas em escolher melhor.

Escolher com consciência.

Escolher com limites.

Escolher sem culpa herdada.

Porque maturidade não é a capacidade de aguentar tudo.

É a capacidade de discernir o que ainda merece ser sustentado.

E nenhuma mulher deveria ser treinada apenas para resistir.

Ela deveria ser educada para decidir.

 
 
 

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