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A solidão que ninguém conta sobre a perimenopausa

Antes de tudo, preciso confessar uma coisa que me envergonha: eu mesma fui cruel com mulheres mais velhas. Não por maldade. Por ignorância. Eu não sabia do que se tratava. E elas também não falavam — talvez por vergonha de admitir fraqueza, talvez por não terem palavras para algo que ainda não tinha nome na nossa mesa. Hoje, vivendo na pele os sintomas e a irritabilidade que antes eu só assistia de fora, entendo o preço do silêncio. E o preço é alto. E olha que tenho até um porto seguro em casa. Tenho a benção de um parceiro extraordinário, aquele homem que percebe quando não estou bem, que me abraça de manhã e de noite para que eu possa simplesmente chorar e desabar. Esse apoio é vida. Mas existe um tipo de validação que o masculino, por mais amoroso que seja, jamais conseguirá nos dar: o espelhamento de outra mulher. E é aí que o cenário se torna absurdamente hostil.

## O julgamento de quem deveria acolher


O que mais tem me causado indignação e revolta nessa fase não é o corpo mudando. Não são as ondas de calor, a névoa mental ou as noites sem dormir. É o tamanho do descaso. Da falta de empatia. E, muitas vezes, do verdadeiro maltrato que mulheres têm com outras mulheres por conta da perimenopausa. Vem da colega que te manda mensagem às 22h cobrando aquele relatório, enquanto você está de compressa na testa tentando não vomitar. Vem da amiga que está à beira da perimenopausa, com todos os sintomas latentes, mas se recusa a olhar para si mesma — e projeta a irritabilidade dela em você, exigindo que você seja resiliente por duas. Vem da tia que menopausou aos 48 "sem sentir nada" e agora te olha como quem olha para uma criança mimada. Aquela que usa a própria biologia privilegiada como régua moral para dizer que a sua dor é "frescura".


A perimenopausa não é uma falha de caráter, não é preguiça e não é chilique. É uma reestruturação biológica e psíquica profunda. E vem de um sistema — familiar, profissional, social — que continua exigindo, exigindo e exigindo de uma mulher que, às vezes, não tem condições físicas ou emocionais sequer de levantar da cama. Com tanta informação disponível hoje, chega a ser cruel não enxergarmos isso.


## O silêncio das que passaram


Se eu olhar para a minha árvore genealógica, não encontro uma mulher sequer que possa sentar comigo e dizer: "Eu passei por isso, eu te entendo." Se passaram, silenciaram. Ou pior: passaram e esqueceram. Essa falta de memória ancestral nos isola. Nos deixa órfãs de referências na nossa própria linhagem. Cada uma reinventando a roda sozinha, no escuro, achando que está louca.


## Rompendo o isolamento


Por isso, hoje, a minha postura mudou. Eu escolho me aproximar de mulheres que estão na mesma trincheira que eu. Mulheres que têm a coragem visceral de olhar nos meus olhos e dizer: "Eu estou exatamente assim, igual a você." Precisamos parar de exigir o impossível umas das outras. Se o mundo lá fora já ignora a nossa saúde, o mínimo que precisamos fazer é garantir que, entre nós, haja teto, abraço e o direito de não estar bem. Se você está atravessando esse deserto e se sentindo invisível ou julgada: você não está louca, e você não está sozinha. Eu vejo você. E por isso estou escrevendo isso agora. Para que daqui a dez anos, quando minha sobrinha ou minha filha entrarem nessa fase, elas encontrem este texto e saibam: alguém viu. Alguém disse. Alguém passou. --- Se você está atravessando isso agora: me escreva. Não precisa ser elegante. Pode ser só um "eu também". Vamos construir a rede que não tivemos. #perimenopausa #saudehormonal #solidãofeminina #menopausa #saude_da_mulher #falamosobreisso


Se você está atravessando esse deserto e se sentindo invisível ou julgada: você não está louca, e você não está sozinha. Eu vejo você.


Sobre a autora: Eu sou escritora, psicanalista e fundadora da Id.Consciente Terapias. Hoje, aos 50 anos, estou vivendo na minha própria pele tudo o que escrevi acima. Toda a minha jornada de mais de uma década integrando neurociência e comportamento foi o que me deu sustentação para não desabar, e é exatamente sobre essa necessidade urgente de libertação que escrevo no meu livro "Mulheres e Limites". Se você precisa de ajuda para reconhecer esses padrões repetitivos, colocar limites saudáveis no seu ecossistema e tirar os pesos que a sociedade e a ancestralidade colocaram nas suas costas, te convido a conhecer essa obra. Vamos segurar esse joystick juntas.




 
 
 

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